Pesca de Praia

A pesca de praia, que pode ser considerada uma das modalidades de pesca mais praticadas em nosso país (se considerarmos os vários quilômetros de praias existentes), seu número de praticantes vem aumentando, sejam aqueles em busca de algumas horas de lazer a sós com a praia e seus mistérios, ou com a família em um dia de Sol a beira mar, ou competindo nos mais variados torneios de pesca e gincanas. Mas, assim como outros tipos de pesca, essa exige o uso de materiais certos e também de alguns cuidados essenciais para garantir momentos animados e produtivos.

Esta modalidade é realizada em sua grande maioria, de arremessos. Muitos fatores podem influenciar neste tipo de pesca, sendo que os principais são as marés, as condições meteorológicas, a qualidade do local e outros fatores.

  As Marés

A Maré que normalmente propicia melhores resultados para a pesca de praia, é a cheia (enchente). Isto porque é neste momento que começa a movimentação de todos os seres que vivem sob a areia e que são alimento natural dos peixes que, sabendo disso, aproximam-se mais. Os pequenos animais, como as tatuiras, sarnambis, siris, minhocas de praia, corruptos e outros, são atrativos para os peixes.

Condições Metereológicas

Devem servir de observação para o pescador os seguintes itens:

Tempo Nublado: pode-se pescar em beira de praia durante todo o dia, com bom proveito;

Tempo Aberto (com sol forte): primeiras horas do amanhecer e nas últimas do entardecer.

Outro fator a que se deve dar importância são os ventos, que podem atrapalhar se forem muito fortes. Procure sempre utilizar linhas o mais fina possível (pois ela vai sofrer menos a influência do vento e da correnteza).

Além disto, a temperatura da água deve ser observada, pois a maioria dos peixes se afasta do litoral com o esfriamento das águas. A temperatura ideal, é de aproximadamente 19ºC a 22ºC. Portanto, as melhores épocas do ano são entre os meses de novembro a março/abril, quando a água ainda está quente.

 Podemos ainda dividir a pesca de praia em quatro tipos, levando-se em consideração o local de pesca.

Praias rasas: As praias rasas caracterizam-se por ter uma profundidade que vai aumentando aos poucos e que apresenta uma série de ondas, geradas por canais e por série de ondas calmas, que também atraem banhistas. Nesse tipo de praia, os peixes ficam um pouco mais distantes da beira, tendo que utilizar equipamentos de qualidade para realizar longos arremessos e encontrar os peixes. Outra opção é entrar na água até os joelhos e efetuar o lançamento para conseguir uma maior distância, porém, para esse tipo de pesca é importante ficar atento às restrições e advertências dos guarda-vidas. Para esse tipo de praia, encontramos duas ótimas iscas muito atrativa para os peixes, o corrupto e a minhoca de praia.

 

Praias de Tombo: As praias de tombo são aquelas em que a profundidade grande, que aumenta rapidamente logo na sua beira, apresentando canais visíveis e sequência de ondas fortes. Com isso, o pescador ganha vantagem para realizar o arremesso, e nesse caso, nem precisa se molhar para lançar sua isca. Nas praias de tombo, o pescador pode encontrar peixes logo no primeiro canal, principalmente peixes que gostam de profundidade. Neste caso, grandes peixes como o Robalo estão a menos de 10 metros da areia, enquanto na faixa de 40 a 80 metros encontramos grandes corvinas e cações, entre outros.

 

Canais de praia: Conseguimos identificar tais canais, observando o momento em que as ondas se formam, ganhando volume.  Isso indica que ali embaixo tem um canal, valeta ou buraco, onde os peixes passam para se alimentar, geralmente em cardumes.

Na praia rasa temos vários canais mais rasos e na de tombo encontramos de 3 a 4 canais mais fundos. Para procurar os peixes é importante alternar os arremessos entre os canais, e dependendo do dia, os peixes podem estar tanto no primeiro canal como também no segundo ou no último, por isso, é imprescindível observar onde temos mais ação. Além disso, para pescar nesses canais é ideal escolher um chumbo com pirâmides ou com garras, de no mínimo 120 gramas, para poder fixar as iscas dentro dos canais, caso contrário, em pouco tempo elas estarão na areia.

Lagamares: Os lagamares são formados quando a água de várias ondas, que chegaram até a praia, acaba juntando-se em um mesmo ponto de retorno para o mar. Neste local, a força da água arrasta tudo o que está no caminho, inclusive a areia, formando grandes buracos, de até 1,70 metros de profundidade. Nesses buracos, grandes poços abrigam os peixes que procuram por comida, e muitas vezes ficam ali escondidos. Entretanto, nesses locais é importante ficar atento, pois, os lagamares são bastante perigosos por causarem muitas mortes por afogamento. Os Lagamares estão presentes nas praias de mar aberto, de grande profundidade como na Praia do Campeche, Moçambique, Morro das Pedras, Santinho, entre outras.

 

Equipamentos

Para a pesca de praia, alguns equipamentos são um pouco diferentes dos utilizados para outras modalidades.

Vara

As varas podem ser telescópicas ou particionadas, com ação ultrarrápida, rápida, média e lenta. O que vai determinar a ação da vara de pesca é o quanto sua ponta curva-se quando sobre ela é aplicada uma força. Outro fator observado nas varas é o blank, que nada mais é do que o material com que se confecciona o corpo da vara, hoje existem uma gama de composições para sua formação, carbono, grafite, fibra composta, etc. Indica-se o carbono por ser um material bem leve, o que proporciona um maior conforto na hora da pescaria. Quanto a capacidade de arremessar de uma vara de pesca chamamos de casting, é o elemento que vai definir qual a massa da chumbada que poderemos associar a vara. Normalmente o casting vem descrito no blank e deve ser respeitado para não causar danos ao material e acidentes no trabalho da vara de pesca. Para iniciar na Pesca de Praia indica-se uma vara de três partes, em carbono ou fibra composta, com comprimento de 3,60 m a 3,90 m, casting até 200 g. Com o tempo e a experiência essa vara pode variar de tamanho para mais e/ou para menos dependo do objetivo do pescador.

Molinete

O molinete tem que se adaptar perfeitamente a vara, ou seja, ele tem que formar um conjunto harmonioso com a vara. Seu peso tem que ser considerado em relação ao conjunto que faz com a vara, um molinete muito pesado pode deixar o conjunto desequilibrado e tornar a pesca desconfortável. Outro detalhe a ser observado é o tamanho do molinete que deve ser coerente com o tamanho da vara. Indica-se para uma vara de 3,60 m um molinete de tamanho médio com relação de recolhimento de 4.1:1, já é o suficiente para iniciar.

Chumbada

Na pesca de praia as chumbadas mais utilizadas são a pirâmide, carambola e beachbomb, devido a sua capacidade aerodinâmica, favorecendo ao arremesso. O que vai definir o formato e massa da chumbada são as condições do local da pesca: correnteza, vento, ondas, etc. Lembrando que a massa da chumbada a ser colocada na vara vai estar limitada pelo casting, que deve ser observado rigorosamente. Uma dica útil é começar a pescaria com as chumbadas mais indicadas para arremesso, as carambolas, torpedo, gota d'água, beachbomb e, caso as condições do mar obriguem, utilizar as pirâmides e aranhas que proporcionam uma ancoragem melhor da linha, mas prejudicam o arremesso.

Chicote

Existem os chicotes com pernadas fixas e pernadas de saque. O mais prático é o chicote com as pernadas de saque, pela praticidade de troca rápida das pernadas de anzol. Este tipo de chicote é composto por rotores e miçangas presas por nós. Nos rotores é onde se prende a pernada de anzol, também por meio de miçangas. Porém não existe uma receita nos chicotes, é uma escolha pessoal. Os chicotes com rotores são indicados pois evitam, em muitos casos, que a pernada embole no chicote.

Anzol

Os anzóis são algo de escolha pessoal. Existem uma gama de marcas e modelos de anzóis, os quais podem apresentar os mais variados formatos e tamanhos. Os anzóis podem ser de pata ou olho. O importante a ser observado no anzol é que ele deve ser bem amolado para que a fisgada seja certeira. O tamanho do anzol deve ser compatível com o tamanho do peixe.

Linhas

Na Pesca de Praia normalmente utiliza-se o tradicional monofilamento de nylon ainda é, de longe, o mais utilizado na modalidade. Sua espessura pode variar entre 0,14 e 0,30 mm, mas observa-se uma grande tendência no uso de linhas entre 0,18 e 0,23 mm. Algumas possuem tratamento UV (ultravioleta), evitando desgaste e conferindo-lhes maior durabilidade. Mas há outros materiais:

– Fluorcarbono: muito usado principalmente na confecção de chicotes para iscas naturais e líderes para iscas artificiais. Sua utilização como linha principal é possível nas variações mais macias e próprias para arremessos.

– Multifilamento: nova tendência da modalidade, oferece alta resistência com menor espessura, memória quase nula e uma sensibilidade sem igual. Na praia, as espessuras costumam variar entre 0,08 e 0,17 mm.

 

Agora é só juntar a tralha e seguir direção à praia e passar horas agradáveis com os pés na areia.